Crítica | As Marvels (The Marvels)

Nota
4.5

Começamos o filme com a antagonista, talvez um elo não tão forte do filme, mostrando informações sobre o bracelete de Kamala Khan, que, como é mostrado em Ms. Marvel, possui um par que foi perdido em algum quadrante da Galaxia. Passamos diversas vezes por flashbacks, que surjem para contextualizar para os espectadores sobre a Kamala Khan da Iman Vellani e a Monica Rambeau da Teyonah Parris, bagagem trazida diretamente dos eventos de Ms. Marvel e WandaVision. Em meio a tanto hate e crítica, muitas vezes vindas da parcela masculina que se incomoda por não se ver representado em tela, é possivel considerar que esse filme já nasceu condenado ao fracasso, apesar disso ele demonstra que tem seu lugar de fala. A direção de Nia DaCosta, que chamou atenção no terror ao comandar A Lenda de Candyman (2021), aposta em um trio protagonista feminino, agindo quase que como uma equipe.

O filme faz o básico, deixando seus personagens serem o foco da história. Brie Larson está muito melhor do que em Capitã Marvel (2019), As Marvels pega a personagem outrora sem tanto brilho e entrega o que faltou ao primeiro longa. Parece que a atriz pegou o jeito, a personagem tem seu drama dentro do próprio filme e convence bem, de certa forma. Kamala é um poço de fofura, seu carisma é sensacional, mesmo ela sendo uma adolescente, o que demanda um pouco da paciência do público. Vale lembrar que Kamala é super fã da Capitã Marvel, que ela tem seu quarto todo decorado com coisas da heroina, até sua camisa é da Carol Danvers, então os eventos do filme basicamente são um encontro com sua ídolo. Zawe Ashton da vida a Dar-Benn, uma Kree que, como o filme não deixa claro, provavelmente era uma forte guerreira que atuava como líder da cidade Kree em Hala. Samuel L. Jackson aparece e rouba a cena, como sempre, é muito bom ve-lo em tela sempre que possível.

Os efeitos especiais estão muito bem encaixados, DaCosta manda muito bem e sabe orquestrar a ação do filme, com poucos cortes nas cenas de ação, ela consegue passar urgência, ritmo e coordenação. A dinâmica das três protagonistas juntas funciona bem demais, o que é um ponto forte do filme. O trabalho da direção de arte é mostrado quando vemos algumas raças pela galáxia, infelizmente não há muito tempo deles em tela, são lugares bastante interessantes. A vilão tem pouco tempo de desenvolvimento, talvez mais uns 10 minutos seria perfeito, felizmente, se o filme falha nesse desenvolvimento, ele se apoia no carisma das personagens e na interação entre elas, dando força ao longa, o que forma uma aventura bem divertida, que vai fazer rir e, de fato, se entreter. Durante o decorrer do filme há diversas explicações técnicas, nas quais o público pode ser um pouco leigo, mas de certa forma o longa consegue achar explicações feijão com arroz. Não vá assistir esperando um filme de espionagem denso e sério, As Marvels consegue acertar exatamente os pontos que Capitã Marvel errou.

Sólido, engraçado e com ótimo ritmo, As Marvels tem química e uma ação super bem dirigida. Temos uma bela evolução até aqui, é possivel que o boca a boca do filme possa ser bacana, contrariando o hate que o filme passou a ter antes da estreia. É recomendado ver o filme na melhor tela possível, vale muito a experiência, eo filme acrescenta, sim, algo à Saga do Multiverso. DaCosta consegue entregar um filme muito decente, tomara que dure bastante tempo na Marvel. Sem entrar em spoiler, o final do filme é bastante impactante, levando a uma ótima cena pós-créditos. Agora só resta juntar as peças dos quebra-cabeças, da para sentir até uma leve conexão com Loki.

 

Jornalista, torcedor do Santa Cruz e do Milan, Marvete, ouvinte de um bom Rock, uma boa leitura acalma este ser pacífico.

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