Review | Infinity Train [Book 3]

Nota
4.5

“Vai ser como nos velhos tempo, só eu e você.”

Quando LakeJesse passaram pelo Vagão da Gata da Sorte, eles conheceram a Apex, um grupo de jovens que odeiam o ‘novo’ Maquinista (One-One) e cultuam o antigo Maquinista (Amelia Hughes), um grupo que odeia os ‘Nulos‘ (os nativos dos vagões) e que tem como objetivo chegar no maior número conhecido. Através dos Apex, conhecemos Grace, sua líder, e Simon, o segundo no comando, os dois humanos que acabam se tornando o novo alvo das lições do Trem, tudo depois que um acidente os afasta dos outros Apex, os levando diretamente para HazelTuba, uma garotinha de 6 anos perdida e uma gorila que a acolheu como filha. Agora, cabe a Grace e Simon iniciar um enorme jornada para reencontrar os Apex enquanto convivem com essa dupla, descobrindo segredos e, no caso de Grace, pouco a pouco vendo seu número abaixar rapidamente.

Lançada em 13 de agosto de 2020, a terceira temporada da série criada por Owen Dennis passa a ser uma produção exclusiva do HBO MAX, saindo oficialmente da grade do Cartoon Network. A temporada, que só foi oficialmente lançada no Brasil no dia 29 de julho de 2021, repete a estrutura do ano anterior e foca novamente em um novo ponto de vista sobre os mundos que compõe o Trem, novamente sendo protagonizado por um personagem secundário apresentado na temporada anterior. Intitulado Livro 3 – Culto ao Maestro, a temporada complementa a expansão que foi iniciada no ano anterior, se através de Lake vimos a nova gestão de One-One, através de Grace e Simon vemos os problemas deixados como legado da gestão de Amelia, os vagões defeituosos, as criações da mulher e, principalmente, temos a chance de ir mais fundo no conceito de ‘Nulos’ e no peso da redenção, assim como Lake foi uma pseudovilã que se redimiu em um episódio, Grace e Simon tem a chance de se redimir durante os dez episódios de cerca de 10 minutos, nos dando até a chance de entender o passado dos dois garotos e a origem dos Apex.

Indo numa viagem cada vez mais profunda, começamos a entender como a criação de Grace foi determinante para que ela entrasse no Trem, o desprezo dos pais dela, tão ricos e tão incompreensíveis, e toda a sua evolução (ou regressão) desde o momento que ela entrou no trem, cruzou com Amelia pela primeira vez e acabou encontrando com Simon. A trama também nos dá uma viagem pelo passado de Simon, mesmo que esta não seja tão profunda como a de Grace, nos dando pequenos elementos que nos faz entender a origem do seu ódio pelos ‘Nulos’, algo que se conecta diretamente com as regras e preceitos do Apex. Hazel pode até parecer a protagonista da temporada, mas aos poucos vai ficando claro o quanto sua presença é a chave para a transformação de Grace, ela é a chance de Grace se redimir e encontrar a verdade dentro de si, uma transformação muito mais profunda do que a Tulip e Lake passaram. Tuba surge como um elemento emocional para a trama, ela protege Hazel com toda a garra e se transforma numa chance para a redenção de Simon, mas sua história assume um tom doloroso que nos toca ainda mais, nos levando a refletir e desejar entender seu passado, desejar entender o que realmente aconteceu com seus filhotes. Numa busca tão interna, a temporada dispensa antagonistas, Grace e Simon são, ao mesmo tempo, os protagonistas e antagonistas de si mesmos, eles são a chave para a transformação que os Apex precisam e para a transformação que cada um deles precisam.

Nos surpreendendo mais uma vez, a terceira temporada de Infinity Train vai mais fundo do que podíamos esperar ao nos presentear uma nova leva de episódios onde ‘Redenção’ é a palavra de ordem, onde não existe vilões e onde a evolução pessoal se torna a chave para mudar absurdamente a mentalidade de dezenas de passageiros. Se a Apex deveria ser a vilã, ela se torna a protagonista no momento que o ideal desses rebeldes é colocado em prova por meio da transformação de seus líderes. Nesse ponto o show se supera, criando uma nova forma de pensar e de construir um roteiro, somos reapresentados a personagens passados, temos pequenas revelações sobre o passado da Gata, e até somos levados a enxergar um novo sentimento nunca antes explorado na série: o que acontece quando a verdade que te motiva a seguir em frente se revela ser uma mentira? O que fazer quando a pessoa que te guia se vira contra os seus princípios? O que fazer quando o ‘mestre’ que você cultua se mostra ser a origem de tudo que você repudia? A viagem de Grace é decisiva em vários pontos, mas é a de Simon que realmente nos leva longe na trilha moral que já é um padrão na série.

“Como punição pela invasão, os intrusos serão servidos como comida para a poderosa Tuba.”

 

Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *