Review | Black Mirror [Season 3]

Nota
5

Um mundo onde a tecnologia é o grande antagonista, isso é Black Mirror, a série britânica antológica de ficção científica criada por Charlie Brooker, com tramas obscuras e satíricas sobrevoando a sociedade moderna e expondo as consequências imprevistas das novas tecnologias.

A série chega em sua terceira temporada em 21 de outubro de 2016, iniciando sua primeira temporada desde que foi comprada pela Netflix, e tendo, portanto, seus 6 episódios sendo liberados no serviço de stream na mesma sexta-feira para serem maratonados, ou melhor, devorado pelos, já conquistados, fãs da série.

Apesar dos planejados 12 episódios, a série Charlie Brooker acabou tendo apenas 6 na terceira temporada, e os 6 restantes foram alocadas na quarta temporada. Uma produção que contou com episódios estrelados por Bryce Dallas Howard, Alice Eve, James Norton, Cherry Jones, Wyatt Russell, Alex Lawther, Jerome Flynn, Gugu Mbatha-Raw, Mackenzie Davis, Michael Kelly, Malachi Kirby, Kelly Macdonald e Faye Marsay.

A temporada se inicia com o pé direito com o espetacular “Nosedive”, episodio que é estrelado por Bryce Dallas Howard e rendeu à atriz uma indicação no Screen Actors Guild Award na categoria de Melhor Atriz de Minissérie. O episodio foca no “mal” por trás das redes sociais, estamos num presente alternativo onde a vida é regida pelos likes, ou melhor, o que torna esse presente alternativo é o fato de os likes (ou avaliações) serem dadas não só por fotos e postagens, mas também por interações, seja você julgando quem interagiu com você como quem está ao seu redor julgando o que achou de te ver com alguém. E isso gera uma nota, que determina tudo na sua vida, algo tão próximo da nossa realidade que até assusta.

O segundo episodio é “Playtest”, um episodio que vai te enlouquecer com a aventura de Cooper, o homem que sai da América para fazer uma viagem pelo mundo e acaba preso na Inglaterra sem o dinheiro para voltar pra casa, sua última esperança é testar um novo jogo de uma empresa multimilionária, o problema é que esse teste de realidade virtual pode sair do planejado e rapidamente se tornar um pesadelo que culmina num gigantesco plot twist. O episodio é estrelado por Wyatt Russell e com toda a certeza vai te deixar de cabelos em pé e com um medo gigantesco do que pode vir pela frente com o avançar da realidade virtual… Talvez até te deixar com fobia dos Óculos VR.

A temporada chega a sua metade com “Shut Up and Dance”, episodio estrelado por  Alex Lawther e Jerome Flynn que é um dos que mais se parece com nossa realidade, não estamos mais num futuro possivel, não estamos num presente alternativo, estamos na nossa realidade, um mundo onde estamos nas mãos dos hackers e eles explora a forma como nossos segredos mais obscuros, quando exibidos em frente a uma webcam, podem ser usados contra você. Kenny e Hector vivem um dia intenso ao serem manipulados a agirem de formas hediondas na busca por esconder seus segredos, e os atores conseguem transparecer toda a tensão e medo que os personagens sentem, eles nos contagiam e logo sentimos que sim, esse é o nosso mundo, vivemos nessa insegurança e podemos logo logo viver essas cenas.

Logo somos jogados em “San Junipero”, o episodio mais feliz e fofo de toda a série, é impossível não shippar esse casal e principalmente depois de vermos a verdade por trás da trama. O episodio que se inicia confuso, nos jogando no passado para entender o futuro, nos fazendo gostar tanto da tecnologia que não vemos a maldade por trás de sua finalidade. O episodio é estrelado por Gugu Mbatha-Raw e Mackenzie Davis, uma dupla que tem uma química incrível e consegue nos jogar de cabeça nessa linda história.

Vemos então para “Men Against Fire”, que com toda a certeza é um episodio extremamente pesado da série, que nos joga numa crítica política comparável à de “The National Anthem” (1×01), e nos faz ver que nem tudo que vemos pode ser real, as vezes lutamos pelo governo e somos manipulados a agir (e matar) sem saber a verdade por trás da guerra. Nos somos apresentados a Stripe, um soldado novato que entra na guerra contra as “baratas”, seres humanoides monstruosos que precisam ser exterminados. A grande crítica do episodio é, por que não se questionar o que realmente as baratas são? Como surgiram? Por que estão sendo caçadas? O episodio estrelado por Malachi Kirby traz um sólido paralelo com o mundo real ao se perguntar, quem realmente estamos matando?

Por fim temos “Hated in the Nation”, que trás um ponto iminente, ele conta que tudo acontece após a extinção das abelhas, uma época onde a humanidade está em perigo e foi necessária a criação de abelhas eletrônicas (vale lembrar que a extinção das abelhas é algo que está acontecendo, e já se prevê que elas deixarão de existir daqui alguns anos), mas o grande ponto do episodio é atual: os Haters. O episodio fala sobre as pessoas que dispersam o ódio anonimamente através das redes sociais, e lançam o “jogo” feito através do twitter onde se deve usar uma hashtag votando em quem deve morrer, e o mais votado é morto no final do dia, e se isso já é ‘Black Mirror’ o suficiente para você, se prepare para uma reviravolta completamente chocante quando a policia avança demais no caso e acaba descobrindo o verdadeiro objetivo da brincadeira, um objetivo que envolve mais de 300 mil pessoas.

Emoções, esse é o resumo de todos os episódios. A constatação de nossa realidade com “Nosedive”, o terror dos destinos resultantes de “Playtest”, o nojo pela nossa inocência e insegurança em “Shut Up and Dance”, a felicidade e visualização do paradoxo que temos com “San Junipero”, a perturbadora realidade sobre as baratas de “Men Against Fire”, e as consequências do ódio e da justiça com as próprias mãos em “Hated in the Nation”, temos 6 episódios cheio de cargas pesadas e morais e principalmente que nos alerta sobre 6 problemas que existem na atualidade e parecem evoluir nessa série, temos os perigos das redes sociais, principalmente instagram, os perigos da imersão extrema, através da Realidade Virtual, os perigos das exposição a internet, através da virtualização de todos os serviços, os perigos do uso extremo de ‘jogos’, através da criação de uma nova vida virtual, os perigos dos preconceitos racistas e xenofóbicos, através da culturalização de ódio, e os perigos do ódio anônimo, através das haterismos online.

Charlie Brooker continua inovando com sua antologia onde temos um elenco diferente, um cenário diferente, até mesmo uma realidade diferente por episódio, sempre abrindo nossos olhos sobre a forma que vivemos agora e a forma que podemos estar vivendo daqui a 10 minutos ou 10 anos. Essa temporada teve ainda mais graça depois que o designer gráfico brasileiro Butcher Billy resolveu criar artes para cada episodio da temporada num crossover com as clássicas capas de HQ, uma arte tão primorosa que despertou até o interesse do criador da série.

 

Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.

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