Crítica | Os Jovens Titãs Assistem a Space Jam (Teen Titans Go! See Space Jam)

Nota
3

“Saudações terráqueos, nós somos os Nerdlucks.”

Depois de anos de sua última visita à Terra, os Nerdlucks retornam ao nosso planeta mais uma vez, dessa vez eles acabam pousando em Jump City, mais especificamente em frente à Torre dos Jovens Titãs, onde o quinteto de outro planeta acaba encontrando o nosso famoso quinteto de heróis. Após uma calorosa recepção (da parte de todos, menos do Robin), os grupos resolvem ter um momento de descontração, entrar na Torre e assistir, todos juntos, o famoso filme Space Jam.

Se passaram vinte e cinco anos desde que presenciamos Michael Jordan e os Looney Tunes derrotarem os invasores da Montanha Bobolândia, mas a chegada da sequência desse longa clássico agora em 2021 fez com que a Warner  sentisse a necessidade de apresentar o filme da década de 90 às crianças de hoje em dia, que seriam o público alvo desse novo longa, mas como fazer um filme de 25 anos atrás ficar apresentável para as crianças de hoje em dia, que estão acostumadas com um ritmo muito mais acelerado? Foi daí que surgiu a ideia de criar um crossover unindo os Nerdlucks com os Jovens Titãs (mais especificamente a versão de Teen Titans! Go), astros do maior sucesso de audiência do Cartoon Network.

Criando uma produção muito mais frenética, o longa é literalmente uma recapitulação do filme de 1996, com direito a muito humor nonsense, que já é marca registrada dos Titãs, e a deixar de lado algumas partes icônicas do filme original, que parecem não fazer falta nenhuma ao novo público alvo, mas que dá um certo incomodo no coração daqueles que assistiram Space Jam. A produção esquece totalmente a trilha sonora marcante e dispensa os comentários sobre as participações eloquentes de astros da NBA como Charles Barkley, Muggsy Bones e Larry Johnson, substituindo todo esse apelo do original por vários cortes focados em curiosidades e referências a eventos da década de 1990, criando uma energia caótica em volta da produção que pode até animar inicialmente, mas pouco a pouco vai dando uma angustia a medida que vamos assistindo, com horror, o filme clássico sendo picotado e descaracterizado.

É inegável constatar que Os Jovens Titãs Assistem a Space Jam não passa de um comercial de 80 minutos da franquia, assim como é impossível ignorar os pontos altos do longa. Por outro lado, mesmo que o filme possa ser eficiente em despertar um certo interesse no novo público, pode não ser a melhor forma de apresentar o longa que marcou gerações, que talvez nem mereça passar por essa deturpação visual. Claro que o humor ácido de Mutano, Estelar e Ravena parecem perfeitos para botar o dedo na ferida quando o assunto é fazer piada das inúmeras falhas do longa, como a comparação dos efeitos visuais, os problemas nas atuações de Jordan e de Bill Murray, as cenas politicamente incorretas que eram comuns naquela época e tantos outros problemas que hoje em dia fariam o filme precisar ser completamente reestruturado (e que foram alvos certeiros dos executivos na lista de mudanças prioritárias na trama da sequência), mas será que esses raros pontos positivos são suficientes para compensar os inúmeros pontos negativos que a produção gerou?

“- O que é que é Space Jam?
– É só o melhor filme de esporte de todos os tempos.”

 

Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.

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