Crítica | Godzilla Minus One

Nota
5

Em Godzilla: Minus One, novo filme do diretor e roteirista Takashi Yamazaki, o já conhecido kaiju aterroriza uma Tóquio devastada após a Segunda Guerra Mundial, onde o Japão saiu perdendo e vai do zero ao negativo com a chegada do gigante. Kōichi Shikishima (Ryūnosuke Kamiki), um piloto kamikaze do exército japonês que desertou da sua missão suicida, vive assombrado por sua culpa, até que a aparição do gigantesco monstro surge como oportunidade de Shikishima encarar sua vergonha de guerra. O longa ainda conta com Minami Hamabe como a protagonista Noriko Ōishi e um elenco composto por Yuki Yamada, Munetaka Aoki, Hidetaka Yoshioka, Sakura Andō e Kuranosuke Sasaki.

O Monsterverse é algo que chama a atenção, porem a escolha de trazer uma abordagem japonesa, mais focada na própria cultura, também é interessante, afinal o Godzilla surgiu em filmes japoneses. O animal é fruto da explosão nuclear das bombas atômicas lançadas em Hiroshima e Nagasaki, proporcionando para o povo japonês um folclore onde o monstro existe, e é partindo desse ponto que vemos mais um filme feito pelo cinema asiático. Gojira é um monstro que impõe medo por onde passa, e o filme, com duração de 2h e 5 minutos e 15 milhões de orçamento, se prova capaz de trabalhar bem o personagem visualmente, com efeitos visuais bem descentes, mas com uma diferença, aqui eles claramente escolhem dar mais destaque para desenvolver a narrativa dos humanos, que recebem muito mais foco na história e deixa o kaiju reservado para momento chaves.

Em Minus One, com um pouco do conhecimento que temos sobre história, vemos sua narrativa se encaixando bem no periodo após o termino da Segunda Guerra Mundial, onde podemos ver o Japão sendo culturalmente explorado como um pais suicida, através de alegorias como os kamikazes, soldados que se jogavam como bombas e morriam para matar seus inimigos. Shikishima, como um dos protagonistas dessa história, apresenta o angulo que mostra a trajetoria iniciada no encontro que ele tem com o Gojira, que está ainda em estágio de desenvolvimento, durante um ataque a uma base kamikaze, deixando os rastros que só o Godzilla pode causar… Sempre impiedoso. O tempo passa, e o protagonista acaba passando a trabalhar destruindo minas nos mares nos arredores do Japão, se unindo a Noriko Ōishi para cuidar de um bebê, construindo sua familia com uma bela mensagem de adoção.

Com excelentes cenas de ação, Godzilla Minus One é uma história emocionante, como a de tantos japoneses do pós guerra deve ter sido. Através dele vemos um pais a beira da miséria com seus locais que sobreviveram aos confrontos, um pais que tenta se reerguer da catástrofe de uma guerra que assolou a nação, portanto, apenas sente na cadeira e aproveite a experiência. O longa se desenvolve com os ataques de Godzilla em meio ao litoral japonês, as tentativas infrutíferas do governo de mata-lo e muitas vidas sendo perdidas no meio do caminho. É recomendado usufruir dessa produção na maior tela possível, IMAX se possivel for, para aproveitar plenamente desse e de qualquer outro filme do Monsterverse, que apesar de ter abordagens diferentes, trazem excelentes formas de conhecer essa cultura.

 

Jornalista, torcedor do Santa Cruz e do Milan, Marvete, ouvinte de um bom Rock, uma boa leitura acalma este ser pacífico.

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