Crítica | Assassin’s Creed

Nota
3

“Você está prestes a entrar no Animus. O que irá ver, ouvir e sentir são as lembranças de seu ancestral que está morto há 500 anos.”

Em 1492, Aguilar de Nerha é formalmente aceito como membro na Irmandade dos Assassinos, recebendo a missão de proteger o príncipe Ahmed de Granada e o segredo da Maçã do Éden, uma reliquia que vem sendo procurada há anos pela Ordem dos Cavaleiros Templários. Em 1986, Callum Lynch presencia a morte de sua mãe e a captura de seu pai por um grupo misterioso, tudo que lhe resta é fugir, se esconder, mesmo sem entender nada. Em 2016, Callum está preso e condenado à morte por assassinato, mas é surpreendido quando sua morte é forjada e ele é levado pela Fundação Abstergo às suas instalações em Madri, lugar onde ele conhece a cientista Sophia Rikkin, uma maquina chamada Animus e descobre ser capaz de, através dela, reviver as memórias genéticas de Aguilar, seu ancestral, e ajudar a Abstergo a encontrar o paradeiro da Maçã do Éden. Agora Cal precisa reviver tudo que Aguilar viveu em Andaluzia, seguir a trilha que leve até o segredo da localização da reliquia capaz de tirar da humanidade a capacidade de ter o livre-arbitrio.

Quando foi anunciada uma adaptação da franquia Assassin’s Creed para os cinemas, uma grande expectativa surgiu. A franquia tem inumeras tramas que facilmente poderiam ser aprovietadas para a construição do longa e tem varias brechas e potencialidades que claramente poderiam ser aproveitadas para a criação de uma expansão usando uma nova midia, e foi essa segunda opção que Michael Lesslie, Adam Cooper e Bill Collage escolheram seguir quando começaram a desenvolver o roteiro da produção, que com direção de Justin Kurzel e com a produção e protagonismo de Michael Fassbender só se fortaleciam. Mas nem tudo que brilha é realmente ouro, e foi esse o grande desfecho da adaptação: um bom potencial mal explorado e que decepcionou ao tentar megalomanizar demais uma mitologia muito bem desenvolvida e mal adaptada. Escolher Aguilar, um assassino criado para o longa, e Callum, um descendente nunca antes citado na franquia, para servir de embasamento para a evolução, foi a melhor escolha do longa, mas o problema é que Aguilar não consegue desenvolver uma identidade própria, parecendo uma fusão de Altair Ezio, o que impede o longa de se sobressair no todo.

Fassbender é um ator que dificilmente vai atuar mal, seu Cal é carismático, confuso e intenso, mas lhe falta um roteiro que o dê consistencia, somos jogados na trama da Abstergo sem uma motivação, sem um objetivo, tudo parece vago demais, e mais ainda parece haver lacunas quando se pensa no que levou Cal a aceitar cooperar com a Abstergo, que até aquele momento o havia sequestrado e forçado a participar de alguns experimentos. Quando Fassbender assume a persona de Aguilar, uma sombra preenche sua persona, ele endurece, explora a frieza de seu personagem e até nos surpreende com a malicia de seus atos e um desempenho invejavel no espanhol, nos envolvendo com a forma como seus dois personagens trabalham, paralelamente, num crescendo absurdo, que infelizmente só não é impecavel por sua ausencia de base. Marion Cotillard encarnando Sofia é doloroso, fica claro a todo segundo o quanto os arcos da cientista se contradizem, entregando um resultado confuso e uma impressão de que deveriamos ter duas personagens para executar bem o papel ao invés de trazer uma mesma atriz para viver tramas opostas, o que torna sua personagem facilmente esquecivel. Ariane Labed, por outro lado, rouba a cena no papel de María, uma Mestre Assassina que mal é explorada no decorrer do longa mas possui uma presença tão forte e memorável que facilmente cativa o público e nos faz querer ver cada vez mais da personagem.

Mal explorado e intenso, Assassin’s Creed tinha tudo para despontar, mas escorrega em questões básicas. O roteiro de Lesslie, Cooper e Collage se perde quando o assunto é introduzir a premissa, focando muito mais em apresentar o personagem do que em embasar o universo que ele faz parte, deixando as regras do universo e as crenças de Cal de lado para acelerar o primeiro ato. Outro erro é a complicação do básico, a Animus é um tipo de cama onde a regreção acontece, mas o longa decide complexar a maquina chegando a um ponto onde ela se torna exagerada, quando poderia ter se empenhado muito mais em outros detalhes mais relevantes do enredo. O fato de a franquia ter nascido pronta para chegar aos cinemas até ajuda, mas precisava de uma construção de roteiro muito mais elaborada para realmente funcionar na telona e agradar quem gosta da franquia de jogos e quem não a conhece. A vantagem do longa não exigir conhecimento do jogo é um ponto positivo, mas a carencia de aprofundamento pode prejudicar o entendimento de algumas pessoas, o que pouco a pouco vai deixando evidente algumas falhas no roteiro que, mesmo com Kurzel e Fassbender encontrando um equilíbrio entre referencias e liberdade criativa, impedem o espectador de realmete enxergar as justificativas do filme.

“- O que você quer de mim?
– Seu passado.”

 

Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.

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