Resenha | O Ar Que Me Falta

Nota
5

“É bem mais fácil superar a tristeza quando a vemos correr em nossa face, apertar nossa garganta, impedir nossa respiração.”

Luiz Schwartz é um dos maiores nomes editoriais do Brasil, que carrega consigo histórias profundas que deixam marcas até os dias atuais: histórias sobre o sacrifício de seu avô, de quem herdou o nome, que abriu mão de tudo para proteger o filho rebelde; sobre seu pai, húngaro, que carrega o peso de obedecer uma ordem em um momento decisivo; sobre sua mãe, croata, que logo cedo teve que mudar sua identidade e aprender a viver em uma nova realidade; e, principalmente, sobre o peso de não conseguir salvar seu pai da dor que carregava em sua alma.

O Ar Que Me Falta retrata de maneira corajosa e bastante franca as cicatrizes carregadas por seu autor. Resgatando memórias profundas, Schwartz revive seus traumas e dores para construir uma narrativa sensível, que preenche um espaço doloroso dentro de si. Seja por momentos presenciados ou apenas narrados para ele, o autor traz todo peso possível para seu texto, expondo sua alma e dissecando a sua depressão a olhos nus.

Com capítulos curtos e objetivos, o livro traz uma linguagem clara sobre todas as provações e lutas que o autor passou. Analisando bem as situações e refletindo sobre quais foram os momentos chave para o agravamento de sua doença. A pressão em ser filho único e as responsabilidades atribuídas a ele trazem camadas agravantes ao narrador que, desde cedo, aprendeu que certos pesos são grandes demais para se carregar.

Embora seja um profissional de renome e bem sucedido, a obra autobiográfica escolhe deixar de lado esse traço da vida e explorar momentos mais íntimos e analíticos de seu protagonista, tornando-o mais real e palpável aos olhos do público. Luiz tem uma escrita marcante que consegue transpor todos os sentimentos confusos que viveu, nos levando ao turbilhão emocional presente em suas páginas, enquanto revive o necessário para demostrar que a batalha ainda não está vencida.

Suas lutas diárias trazem um parecer que beira a crueldade, causando desconforto a quem ler, ao mesmo tempo que elaboram uma compreensão mais abrangente sobre os assuntos levantados. A Depressão e Bipolaridade são tratadas de forma nua e crua, explorando as dores e profundidades encaradas ao longo de sua jornada, e despertando sentimentos diversos no leitor.

O autor constrói paralelos entre as três gerações de sua família, trazendo ciclos viciosos e enredos que refletem a cada novo arco, explorando assim, de forma respeitosa, tudo aquilo que precisa ser exorcizado através da palavra. É também através das palavras que ele pontua o peso de suas aventuras literárias, passeando entre suas obras, lançadas e engavetadas, que escreveu durante sua trajetória, apresentando todo escapismo e profundidade que cada uma teve em sua vida.

Em meio ao sufoco e ao silêncio que tanto fala, O Ar Que Me Falta disseca a alma de seu autor, abordando um tema mais intimo e profundo que pesa a cada nova página virada. Luiz nos conquista com sua coragem ao expor suas fragilidades em carne viva, humanizando o transtorno e nos apresentando internamente aquilo que consegue gritar mais alto que qualquer palavra dita.

“Revivo hoje o frio na barriga ou a falta de ar que senti ao saber da fragilidade do meu pai. Eu ainda era jovem para saber o significado da palavra “depressão”, ou mesmo para desenvolver comportamentos francamente depressivos.”

 

Ficha Técnica
 

Livro Único

Nome: O Ar Que Me Falta

Autor: Luiz Schwartz

Editora: Companhia das Letras

Skoob

Preso em um espaço temporal, e determinado a conseguir o meu diploma no curso de Publicidade decidi interagir com o grande público e conseguir o máximo de informações para minhas pesquisas recentes além, é claro, de falar das coisas que mais gosto no mundo de uma maneira despreocupada e divertida. Ainda me pergunto se isso é a vida real ou apenas uma fantasia e como posso tomar meu destino nas minhas mãos antes que seja tarde demais...

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