Crítica | Save the Green Planet!

Nota
2.5

Após uma enorme investigação, o jovem Lee Byeong-gu (Shin Ha-kyun) está convicto de que um dos nomes mais influentes da Coreia é na verdade um reptiliano do planeta Andrômeda. E para salvar a terra desse mal extraterrestre ele vai contar com a ajuda da sua namorada, Su-ni (Hwang Jeong-min), para sequestrar o influente Kang Man-shik (Baek Yoon-sik) para enfim descobrir a verdade sobre essa raça alienígena e exigir mudanças. Mas no meio das negociações, Lee vai acabar transformando o seu porão em uma câmara de torturas, filmando cada movimentação de Kang no seu tempo em cativeiro. Do diretor Jang Joon-hwan, Save the Green Planet! é uma jornada de ficção científica bem humorada e super inventiva que foi um dos maiores destaques de sua carreira.

Produzido por um dos maiores nomes do entretenimento coreano, a CJ Entertainment, Save the Green Planet! é de fato uma jornada de outro planeta com seu roteiro de fato muito inovador. A surpresa do longa é justamente ele não contar com um grande aprofundamento do seu conceito, apesar da grande motivação do protagonista de querer salvar a terra de uma grande ameaça alienígena, o diretor Jang Joon-hwan não aprofunda-se em aspectos político-sociais que corroboriam com a narrativa principal do Lee, que foi explorado pela empresa do Kang Man-shik e que poderia ter esse como um teor a mais para sua revolta, já que sua mãe fica doente por consequência da empresa que eles trabalham. Além disso, os personagens não são bem construídos, exceto o Man-shik, já que todos eles seguem em um ritmo único, sem nuances de personagem nem um momento em que sua narrativa pode crescer para chegar no clímax dos conflitos finais.

Apesar de super carismática, a personagem Su-ni é super mal aproveitada, nem sequer precisando estar ali, já que ela tem uma personalidade muito rasa, servindo apenas como um apoio mesmo para o Lee, e não tendo um arco narrativo forte nem coeso, já que ela não cria conflitos com as coisas que estão acontecendo e só aceita tudo cegamente. Já o Lee, sofre do mal de estar ligado nos 200V a todo tempo. Desde o início ele é tomado por sua loucura que o acompanha ao longo do filme, sem um espaço para vermos sua moral sendo construída. O Man-shik tem uma construção mais condizente com seu personagem, sendo um homem arrogante, mas que ainda assim tem suas vulnerabilidades por conta da sua situação atual.

Save the Green Planet! se destaca na verdade pela sua trilha sonora, que é muito bem construída e colocada para as situações, trazendo um olhar estético mais apurado para o longa. O que também se destaca é a direção que é muito atenta aos detalhes, ao posicionamento dos atores, as técnicas de filmagem utilizadas que trazem uma ambientação de suspense, mesmo nas cenas mais cômicas do filme. Parecendo uma ideia maluca que no fim faz sentido e dá certo, Save the Green Planet! é uma obra que peca apenas por ter sido feita na hora errada. Cheia de vícios de edição do início dos anos 2000, combinados com uma comédia que faz o filme ser levado menos a sério, o longa acaba tendo seus defeitos escancarados e sem ser salvo por sua premissa tão interessante. O diretor Jang Joon-hwan entrega uma obra que mistura gêneros de comédia com suspense de uma forma interessante, mas às vezes erra na mão quando a comédia acaba sendo literal demais. Mas sem dúvida é uma experiência cinematográfica que não pede licença para entrar, nos deixando perguntas sobre quem é o verdadeiro alienígena. No fim, um filme bem embalado para a época mas que precisava de muitos refinos, mesmo que seja um filme com um conceito interessantíssimo que acabou se perdendo pela falta de aprofundamento

 

Ilustradora, Designer de Moda, Criadora de conteúdo e Drag Queen.

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