Nota
“Tem alguem querendo fazer uma sequência da revisitação do tema“
Um ano se passou desde o terceiro massacre de Woodsboro, orquestrado por Richie Kirsch e Amber Freeman. As irmãs Carpenter tentam seguir em frente em Nova York, onde Tara ingressa na Universidade Blackmore ao lado dos amigos e também sobreviventes, os gêmeos Chad e Mindy Meeks-Martin. No novo endereço, elas dividem a rotina com Quinn Bailey, colega de quarto de Tara, Anika Kayoko, namorada de Mindy, e Ethan Landry, colega de Chad. Mas a aparente paz logo se desfaz quando Jason Carvey e Greg Bruckner, dois estudantes de cinema obcecados pela franquia Facada, decidem dar continuidade aos planos de Richie e Amber. Antes que consigam, ambos são brutalmente assassinados por um novo Ghostface, que ressurge com sede de vingança e transforma a cidade em palco de uma caçada ainda mais violenta — com os sobreviventes do massacre anterior novamente na mira. Para piorar, Gale Weathers quebra sua promessa e lança mais um livro sobre Woodsboro, retratando Sam como uma assassina instável. Com sua reputação destruída na internet, Sam precisa enfrentar não apenas o novo assassino, mas também a sombra do ódio coletivo que a persegue.

Seguindo planos traçados desde antes de Pânico 4 (2011), Kevin Williamson retomou em Pânico 6 o desfecho dos acontecimentos de Pânico 5. A ideia original previa Jill Roberts sendo perseguida por um novo assassino em seu campus universitário em Pânico 5, enquanto Pânico 6 teria Gale Weathers como protagonista. No entanto, o fracasso comercial de Pânico 4 levou a uma mudança de rumo: Pânico (2022) reformulou a narrativa, e o conceito inicialmente planejado para o quinto filme acabou sendo adaptado aqui, com o quarteto sobrevivente enfrentando um novo Ghostface no ambiente universitário. O longa foi oficialmente aprovado pela Spyglass Media Group em 3 de fevereiro de 2022, com Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett retornando à direção, e James Vanderbilt e Guy Busick novamente responsáveis pelo roteiro. Tal como Pânico 2, o filme abandona Woodsboro, levando o assassino mascarado para novos cenários, mas constrói sua própria identidade ao apresentar um Ghostface mais agressivo e violento, além de ousar em quebrar o padrão da franquia sem desrespeitar suas regras. Assim como o quinto capítulo foi uma releitura do original, Pânico 6 funciona como uma reimaginação de Pânico 2 — embora as semelhanças entre ambos sejam difíceis de discutir sem revelar spoilers.
O elenco de Pânico 6 demonstra uma evolução perceptível em relação ao filme anterior, especialmente o quarteto de sobreviventes, que ganha mais personalidade e espaço dentro da narrativa. Melissa Barrera encontra aqui um equilíbrio melhor entre fragilidade e força, enquanto Jenna Ortega ganha mais tempo de tela e aproveita cada segundo, entregando uma presença mais firme e emocionalmente madura, consolidando Tara como uma das figuras centrais da nova geração. Jasmin Savoy Brown, por sua vez, assume completamente o papel que Randy ocupava na franquia, e talvez até o supere: Mindy se torna a verdadeira porta-voz dos roteiristas, verbalizando as novas regras de como construir uma sequência dentro de uma requel, com falas como “orçamento maior, elenco maior, contagem de corpos maior” e “ninguém está seguro”. Essa metalinguagem é tão divertida quanto funcional, oferecendo ao público pistas para desvendar o mistério e reforçando a essência autorreferencial que define Pânico. Depois da morte de Dewey, a franquia também deixa claro que não tem medo de eliminar figuras icônicas, e Pânico 6 sustenta essa ousadia ao reafirmar que, realmente, ninguém está seguro. Além disso, o retorno de Hayden Panettiere como Kirby Reed é uma das gratas surpresas do filme. A personagem, que sobreviveu ao segundo massacre de Woodsboro, retorna agora como uma agente do FBI, trazendo consigo um amadurecimento que reflete tanto sua trajetória pessoal quanto o crescimento da própria franquia.

A cena do mercado é o maior exemplar do quanto esse novo assassino está pronto para ultrapassar limites, atacando sem delicadeza, em meio a lugares lotados e disposto a eliminar qualquer um que cruze seu caminho quando um alvo está em fuga. Ele é mais sádico, mais inconsequente, e isso faz com que o filme eleve o nível da violência da franquia sem se tornar gore. No entanto, o mesmo não pode ser dito dos personagens por trás da máscara: os assassinos de Pânico 6 são, sem dúvida, os mais fracos da franquia, com motivações rasas e um desfecho que descredibiliza o tom da narrativa. Desde o filme anterior, a morte perdeu peso, tornou-se reversível, quase simbólica, e isso faz com que parte da tensão se perca, já que escapar do Ghostface parece mais fácil do que deveria. Ainda assim, o filme se destaca por sua direção enérgica e pela forma como moderniza o legado de Wes Craven, equilibrando reverência e ousadia. A franquia segue viva, mesmo que precise, urgentemente, escolher melhor quem veste a máscara.
“A gente não tá numa sequência […] A gente tá numa franquia, e há certas regras para dar continuidade a uma franquia”
Icaro Augusto
Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.