Crítica | A Casa Amaldiçoada (The Haunting)

Nota
3

“Encontre-nos, Eleanor.”

Eleanor Lance (Nell) é uma mulher solitária e insone que passou 11 anos cuidando da mãe doente em um pequeno apartamento em Boston. Após a morte da mãe, sua vida desmorona quando a irmã, Jane, decide vender o imóvel, deixando-a sem rumo. É então que surge uma inesperada oportunidade: participar de um estudo sobre insônia conduzido pelo Dr. David Marrow em Hill House, uma mansão isolada nas montanhas de Berkshires. Lá, ela conhece o casal de zeladores excêntricos, Sr. e Sra. Dudley, além dos outros participantes, o descontraído Luke Sanderson e a glamorosa Theodora (Theo), com quem passa a conviver ao lado do Dr. Marrow e seus assistentes. O que nenhum deles imagina é que o verdadeiro propósito do experimento é analisar a resposta psicológica ao medo, e que o grupo está prestes a encarar algo muito mais sombrio do que um simples estudo científico.

Inspirado no livro A Assombração da Casa da Colina, de Shirley Jackson, e remake do clássico Desafio do Além de 1963, o filme de Jan de Bont se distancia consideravelmente tanto da obra original quanto de sua primeira adaptação. Enquanto o longa de 63 apostava na sutileza e na tensão psicológica, o de 1999 opta por uma abordagem mais visual e grandiosa, priorizando o espetáculo dos efeitos especiais em detrimento do mistério. A direção tenta equilibrar o terror gótico com o uso intenso de computação gráfica, mas acaba resultando em uma estética exagerada, onde o medo é mais sugerido pelos cenários digitais do que pela atmosfera. A fotografia é elegante e o design de produção impressiona pela opulência da mansão, mas a artificialidade dos efeitos enfraquece o impacto que deveria causar.

O elenco reúne nomes de peso, mas nem todos conseguem escapar das limitações impostas pelo roteiro e pela direção irregular de Jan de Bont. Lili Taylor entrega uma performance intensa e emocional como Eleanor Lance, transmitindo com naturalidade a solidão e a vulnerabilidade da personagem, que desenvolve uma conexão quase espiritual com a casa. Liam Neeson assume o papel do Dr. David Marrow com a sobriedade característica, mas sua atuação fica contida, refletindo a falta de profundidade do personagem. Catherine Zeta-Jones interpreta Theo com charme e segurança, dando vida a uma figura marcante e ousada para a época, enquanto Owen Wilson confere leveza e um toque de humor ao grupo, ainda que sua participação acabe sendo subaproveitada. A direção de De Bont, mais conhecida por blockbusters de ação, carece de sutileza para o gênero de terror, resultando em uma narrativa que privilegia o espetáculo visual em detrimento do desenvolvimento dos personagens e da construção do suspense.

Não é tão terrível quanto parece à primeira vista, mas também não chega a fazer jus ao potencial da obra que o inspirou. A Casa Amaldiçoada (1999) acaba sendo uma experiência irregular, que acerta ao reunir um elenco competente e ao criar uma ambientação visualmente marcante, mas peca pela falta de ritmo e pelo exagero de sua duração. A narrativa poderia ser mais enxuta e menos dependente de efeitos digitais, que envelheceram mal, mas ainda assim não chegam a comprometer completamente a imersão. O filme mantém o interesse do público graças às boas atuações e ao mistério que ronda Hill House, mesmo que o terror nunca alcance a força esperada. Uma produção que funciona como curiosidade dentro do gênero, mas que carece da sutileza e da tensão que tornaram o original de 1963 um clássico.

 

Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.

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